
O Riacho das Lavadeiras, localizado entre os bairros das Quintas e o Bairro Nordeste, em Natal, foi alvo de uma operação conjunta, nesta quinta-feira, de órgãos e agentes públicos que foram identificar a denúncia de despejo ilegal de esgoto no local. Foi identificado o despejo de esgoto no rio, além da presença de fezes, lixo e vermes.
Os representantes da Companhia de águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) que participaram da operação confirmaram à reportagem que esgoto está sendo lançado no rio. Além da Caern, a operação teve a participação da Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento Básico (Arsban) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semurb).
Para resolver a situação, a Caern vai executar na região o projeto “Se Liga na Rede”. A ação oferece ligação gratuita à rede de esgotamento sanitário de imóveis pertencentes a famílias em situação de vulnerabilidade ou baixa renda.
Além disso, ficou acertado que haverá a intensificação da fiscalização no curso inteiro do rio. “O rio vem lá de Nova Descoberta. De lá para cá, ele vem recebendo contribuições de esgoto. Essa aqui é só uma ação pontual. Mas existe outra ação lá em Nova Descoberta e em outras áreas, como na comunidade Novo Horizonte. A ideia é, de lá até aqui, a gente fazer a eliminação desses esgotos para o rio, para que o rio um dia, quem sabe, volte a ser limpo novamente”, afirmou o analista de regulação Pedro Júnior, da Arsban.
Supervisor de fiscalização da Semurb, Leonardo Almeida, disse ter ficado assustado com a situação. “Isso aqui é o extremo do quadro de poluição ambiental. Esse riacho aqui, que deveria ter vida, tem vários olheiros que chegam aqui com água limpa. Deveria ter vida. Ele está totalmente eutrofizado (contaminado por ação humana). A concentração de carga orgânica, de esgoto e águas servidas aqui é descomunal. Nos deparamos com o riacho assoreado, com o aterro do riacho, com a operação ineficiente da estação de tratamento de esgoto, que é essa lagoa de estabilização. É lamentável ver isso aqui. 20 anos de Semurb, eu estou assustado com o que estou vendo aqui hoje”, afirmou.
A vereadora Camila Araújo (União) foi uma das responsáveis por liderar a operação. Ela afirmou que o rio era limpo no passado. “Esse rio há 30 anos possibilitava mulheres lavarem roupas, por isso o nome Riacho das Lavadeiras. Elas lavavam os seus utensílios domésticos, pescavam, tiravam daqui a subsistência. E é uma tristeza a quantidade da contribuição de águas servidas, de esgoto clandestino. Aqui transformou-se num esgoto a céu aberto”, assinalou.
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